4. INTERNACIONAL 15.8.12

UM TESTE PARA A IRMANDADE
Atentado contra soldados egpcios na Pennsula do Sinai fora o governo islamista do pas a cooperar com Israel.

     Um ataque que matou dezesseis soldados egpcios no domingo 5, em um posto de controle perto de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, jogou os radicais da Irmandade Muulmana em um dilema existencial. O grupo que elegeu o engenheiro Mohamed Mursi para a Presidncia do Egito adoraria fazer vista grossa ao crescimento de bandos islmicos radicais no vasto deserto da Pennsula do Sinai, de onde podem lanar ataques contra Israel, cujo direito de existir no  reconhecido pela Irmandade. A satisfao de ver a fronteira israelense sendo violada por homens-bomba, no entanto,  suplantada pela necessidade de prestar contas pela morte de egpcios. A Irmandade, portanto, no pode deixar o caos instalar-se no Sinai, sob o risco de perder apoio poltico e popular dentro de casa. Para isso, ela ter de relevar seu antissemitismo arraigado, trabalhar com os generais remanescentes do regime de Hosni Mubarak, deposto em fevereiro de 2011, e ainda comprar uma briga com o Hamas, o grupo palestino que ajudou a formar e que governa a Faixa de Gaza.
     Os guardas egpcios estavam jantando aps o jejum dirio realizado no ms sagrado do Ramad quando foram surpreendidos por homens mascarados. Estavam desprevenidos, pois seus superiores haviam ignorado as informaes passadas pelos israelenses de que poderiam ser atacados. Os terroristas roubaram dois veculos militares e seguiram em direo a Israel. Um dos carros explodiu antes da fronteira. O outro, com seis jihadistas e explosivos, foi bombardeado pelos israelenses. A autoria do atentado  atribuda ao Exrcito do Isl, grupo salafista ligado  Al Qaeda e sediado na Faixa de Gaza.
     Aps a queda de Mubarak, o novo governo egpcio havia afrouxado o controle da fronteira com a Faixa de Gaza. O trfico de armas aumentou, e as mfias palestinas, os terroristas ligados  Al Qaeda e os assaltantes bedunos ganharam mais liberdade para agir no Sinai. O assassinato de egpcios por palestinos forou uma mudana de atitude de Mursi. Pela primeira vez, o Egito fez uma operao militar coordenada com Israel por ar e terra no Sinai. Acampamentos jihadistas foram bombardeados. Mais de vinte militantes morreram. Mursi tambm pediu ao Hamas que lhe entregue trs homens suspeitos de envolvimento no ataque.  cedo para afirmar que Mursi esteja se rendendo ao pragmatismo, mas talvez o episdio o ajude a perceber que h mais nus do que vantagem em permitir que o Sinal seja um criadouro de terroristas.

